Esses dias têm sido difíceis. Meu avô está com pneumonia e precisou ser internado há dois dias atrás. Por enquanto,ele ainda está no hospital, e nós em casa estamos todos torcendo para que ele se recupere rápido.
Tenho muitas lembranças boas desse meu avô, pai da minha mãe. Aliás, dele e da minha avó, que faleceu em 2001. Passei minha infância inteira na casa deles. Ia lá todos os dias, e eu e meus irmãos passamos a ficar na casa deles durante o dia quando minha mãe começou a trabalhar fora.
Meu avô era quem nos levava e buscava na escola, no curso de inglês, na catequese... Foi ele quem me ensinou a rezar – e que me deu um livrinho de orações feito por ele e que guardo até hoje –, quem me deu a primeira mesada para comprar figurinhas, e quem me ensinou a anotar os acontecimentos em um diário (ele sempre anotou tudo em suas famosas agendas). Fora isso, quase sempre era o meu avô que ia às nossas festinhas de dia dos pais na escola, já que papai é médico e nem sempre podia sair do trabalho para participar. Paciente, com uma super boa vontade e sempre cheio de orgulho dos netos, meu avô adora conversar e contar histórias da sua vida. Foi através dele que pude conhecer melhor as histórias antigas da família e a sua linda história de amor pela minha avó, que resultou em cinquenta anos de casamento, três filhos, cinco netos e, até agora, um bisnetinho.
Minha avó era quem cuidava de nós, propriamente. Nunca houve nesse mundo pessoa como ela. Paciente, generosa, carinhosa, firme e compreensiva ao mesmo tempo. Na casa dela, podíamos tudo: comer no sofá, deixar os brinquedos espalhados no quarto de hóspedes para continuar a brincadeira no dia seguinte, encher o quintal de confetes e serpentinas no carnaval, e até falar bobagens (tipo “cocô”, “xixi”, “bunda” e essas coisas que criança adora falar e acha uma graça danada). Minha avó nos mandava para a área de serviço e ficava na cozinha, ouvindo a gente rir sem parar enquanto falava todo aquele besteirol. Depois, quando achava que já estávamos exagerando, ela nos mandava entrar e fim da história: nenhuma palavra mais sobre aquela bobageira toda! Ela era compreensiva e amorosa, sempre ficava ao lado dos netos e era mestra em nos contar historinhas que serviam de exemplo de conduta. Na casa dos meus avós, só não podia palavrão e malcriação.
Infelizmente, minha avó não viveu o suficiente para conhecer o meu filho. Tenho a certeza de que eles iriam se adorar. Tenho uma foto de nós duas abraçadas na sala da minha casa, e sempre mostro para o meu bebê, para que ele conheça sua bisa e saiba que, lá do céu, ela está sempre olhando por nós. Sinto uma saudade sem fim da minha avó.
Quanto ao vovô, tive a sorte de dar a ele o seu primeiro bisneto. E como eles se amam! É tão lindo ver meu avô, tão velhinho, conversando e fazendo caretas para o meu Pequeno, que ri sem parar e se atira para ele, tentando pegar seu nariz. A cena mais fofa e doce desse mundo.
Eu soube que ao ser internado, a médica ficou conversando com o meu avô, perguntando se ele tinha filhos e netos, ao que ele respondeu indicando o número com as mãos. “E bisnetos? O senhor já tem?”, ela perguntou. E o vovô, cheio de orgulho: “Tenho um, o Pequeno. Um garotão!”.
Lindo post! Doce, doce! Beijos em seu vô por mim.
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