quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O caminho

A chegada do Felipe se aproxima em uma velocidade que, ao mesmo tempo, assusta e enche de felicidade. E nessa doce espera temos vivido momentos igualmente doces e inesquecíveis em família.

Você, Pedro, está uma graça! Não pode ver um anúncio de fralda ou coisa do tipo que mostre um bebezinho que corre para nos mostrar – a mim e ao papai –, sorrindo: “Óia o Pipe! Buitinho!”. Aqueles brinquedos mais de neném (tipo chocalhos, mordedores e até alguns bichinhos de pelúcia) já foram definitivamente dados por você para o Pipe, e o livrinho que conta a história da menina que vai ganhar um irmãozinho está entre os seus “top three”. Minha barriga não se cansa de receber seus infinitos beijos e carinhos e meu coração se enche de alegria a cada vez que você quer que eu deixe a barriga de fora para que o Pipe possa ver seus brinquedos ou se impressionar com as coisas tão legais que você sabe fazer.

Lá dentro, o Felipe cresce um pouco mais a cada dia, dá chutes e cambalhotas deliciosas, e acho que já está orgulhoso do irmão mais velho tão bacana que o espera aqui fora e que gosta tanto de conversar com ele. Deve estar louco para participar das brincadeiras e aprender as tantas coisas maravilhosas que você tem para ensinar!

No entanto, nos últimos dias, tenho notado que você, Pedro, anda mais possessivo em relação a mim e ao seu irmãozinho. Nem o papai pode fazer grandes carinhos que você já vem correndo dizer “Mamãe é meu!”, “Pipe é do Pêdo” etc e tal. A “chopetinha”, que antes só era lembrada na hora de dormir, tem sido sua companheira constante durante praticamente o dia todo. E tudo isso me faz pensar se esses não são pequenos sinais de uma pontinha de insegurança frente à sensação de que a vida, aquela do jeitinho que você conhece, está prestes a mudar.

E esse pensamento faz surgir em mim um desejo ainda maior de te proteger e de te mostrar, filho, que se o nosso dia a dia vai mudar um pouco, o sentimento que existe entre nós não vai mudar nunca. Você é o nosso grande amor, meu e do papai. Nosso filhinho mais velho, nosso grande orgulho e infinita alegria. E amor, querido, amor de verdade, não diminui, não se divide, não muda. O amor só aumenta, transborda, soma. E ver você crescendo e se preparando para a chegada do seu “imãozinho”, ver como você já acolheu o Felipe em nossa família antes mesmo dele chegar, só nos faz te amar inacreditavelmente mais e querer te proteger de todo sofrimento que sentimentos como o ciúme e a insegurança podem causar.

Sei que todo esse “pacotão” de sentimentos tão diferentes – amor, felicidade, expectativa, medo, insegurança... – faz parte do caminho que trilhamos a cada mudança. Mas, nesse caso, o motivo da mudança é tão maravilhoso que vale todos os ajustes necessários. Como sempre te digo, ter um irmão é ter um amigo que mora na nossa casa, é ter um parceiro de vida e para a vida. É bom demais!

Com isso tudo, meu amor, eu queria te dizer que te amo muito, muito, muito, e que a chegada do seu irmãozinho só trará mais alegria, felicidade e amor para a nossa família. Teremos mudanças? Sim, inevitavelmente. Mas quem disse que mudar é ruim? Muitas vezes, meu amor, é preciso mudar para sermos ainda mais felizes.

E independente de qualquer mudança, Pedro, eu vou ser sempre a sua mãezinha, igual, inteira e completamente apaixonada por você.


Um comentário:

  1. O ciúmes é um problema para muitas mães quando vêm outros filhos.... mas parece que o Pedro já considera o Felipe um grande amigo e já o ama muito (inclusive esse sentimento que ele tem de posse é até legal, de certa forma).

    Vai ser um irmãozão mais velho que vai proteger o "Pipe" sempre!

    Está acontecendo um turbilhão de sentimentos dentro do Pedro, e dentre eles também deve ter a insegurança e o medo do que está por vir, mas acho que você está agindo bem, sempre o lembrando o quanto o ama e que o Felipe será um grande amigo, porque serão mesmo!

    Beijo, e boa sorte com os filhotes!

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