Mexendo em meus arquivos, encontrei um post sobre o desmame do Pipe que não cheguei a publicar. Mas, como acho que esse é um momento muito importante da vida da criança (e da mamãe também!), queria deixa-lo registrado por aqui, para que um dia o Pipe saiba como ele passou lindamente por esse processo. Como um homenzinho.
Post escrito em julho de 2012:
Ao realizar um ultrassom de rotina por volta da 25ª semana desta minha terceira gestação, fui avisada pela médica responsável pelo exame de que a minha placenta estava muito baixa, obstruindo o colo do útero. Segundo ela, nessa fase da gravidez ainda não havia motivo para preocupação, mas era preciso conversar com a minha obstetra a respeito.
Durante a consulta pré-natal seguinte, mostrei o laudo do exame e minha médica também não demostrou grande preocupação. Ela deu uma olhada no bebê e na posição da placenta pelo US de sua sala e me disse acreditar que a placenta ainda mudaria de lugar no correr da gravidez, “carregada” pelo crescimento do útero. Segundo ela, um diagnóstico de placenta prévia só é possível após a 30ª/32ª semana de gestação, quando o útero já alcançou boa parte de seu tamanho final e a placenta já se encontra em uma posição mais definitiva.
No entanto, eu quis saber quais seriam as implicações no caso da minha placenta não mudar de posição, e as que mais me preocuparam foram: possibilidade de um parto prematuro (causado por hemorragias na placenta devido ao peso do bebê sobre ela) e a impossibilidade de realização de um parto normal (no caso da placenta estar mesmo obstruindo a saída do útero).
Depois dessa consulta, como ainda teria que esperar 6 ou 7 semanas para um diagnóstico final, decidi que era hora de fazer a minha parte para evitar maiores problemas caso a placenta prévia se confirmasse. Com isso, comecei a evitar grandes esforços físicos e excesso de peso, e decidi que era a hora de começar o processo de desmame do Pipe, que, a essa altura, já estava com 1 ano e meio de idade. O que pesou nessa decisão foi a necessidade que senti de proteger a Helena, de fazer o possível para garantir que ela chegasse a esse mundo com saúde e segurança. E as contrações provocadas pela amamentação somadas às complicações de uma placenta prévia poderiam contribuir para que a minha filhinha chegasse antes da hora, o que poderia ser um risco para sua saúde.
Nesse momento, as mamadas do Felipe se concentravam basicamente à noite: na hora de dormir e uma vez durante a madrugada. Fora isso, ele tinha o hábito de mamar na hora de sua sonequinha da tarde, nos finais de semana, e bem de vez em quando pedia para mamar de manhã, assim que acordava.
Como essas mamadas matutinas eram raras, foi bem fácil retirá-las, oferecendo em troca brincadeiras e distrações. As mamadas que antecediam o soninho (à noite ou à tarde) e as da madrugada exigiram mais tempo e esforço para serem eliminadas.
Quem me conhece sabe que não gosto de levar nada “a ferro e fogo”, que sou extremamente flexível e que respeito muito os direitos de quem está a minha volta. Então, optei por ir eliminando essas mamadas aos pouquinhos, para que o Pipe não sentisse tanto durante o processo.
Como trabalho fora, as mamadas da tarde só aconteciam nos finais de semana. E tirá-las não foi tão difícil. Com muita conversa, consegui substitui-la por uma mamadeira sem maiores dificuldades. Bastava deitar o Pipe no sofá, com a mamadeira nas mãos, e me sentar próximo a sua cabecinha, fazendo um cafuné. O soninho não demorava a chegar, e logo as mamadas da tarde se despediram de nós.
Nosso maior desafio era sem dúvida deixar de lado as mamadas noturnas: uma na hora de dormir e uma no meio da madrugada. E elas foram embora juntas, com muita tranquilidade e paciência. Passei a fazer uma mamadeira para o Pipe à noite e, na hora de deitar, colocava-o em meu colo (como sempre) e a oferecia para ele.
Normalmente, ele aceitava a mamadeira, mas sempre pedia o “mamá da mamãe” depois. E eu explicava que agora ele já era um rapazinho e que já não tinha mais leitinho no mamá da mamãe. E um sinal bem claro de que ele já estava pronto para o desmame foi ele aceitar essa explicação sem choro ou drama. Todas as noites ele pedia o mamá da mamãe, eu explicava e ele acabava por tomar a mamadeira sem problemas. E não a tomava inteira. E queria dormir abraçado a ela.
E percebi que, no meio da madrugada, ele acordava, pegava (sozinho) a mamadeira e tomava o restante. O desmame tinha chegado ao final e estávamos todos bem e felizes com isso. Tínhamos superado mais uma etapa. Agora, com 1 ano e 7 meses, o Pipe já era mesmo um rapazinho.
Em tempo: como a minha médica previra, minha placenta mudou de lugar com o avanço da gravidez e, como já está registrado aqui, a Helena chegou forte e saudável, em um parto normal natural, alguns meses depois.
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