Já contei aqui como foi o nascimento do Pipe, em um parto normal rápido e tranquilo. Contei também que ele chegou nesse mundão cheio de saúde, com apgar 9 e 10. Mas ainda não contei o susto que ele me deu depois, quando teve icterícia. Você já chegou me dando susto, filho!
A icterícia é o excesso de bilirrubina no sangue e seu principal sintoma é a cor amarela da pele e do branco dos olhos dos bebês. Ela ocorre quando a produção de bilirrubina é maior do que a capacidade do fígado de metabolizá-la e, de um modo geral, surge entre o 2º e 0 4º dia de vida.
Para quem não sabe (como eu não sabia!), é um problema bem comum em recém nascidos e, segundo pesquisei, afeta mais de 50% dos bebês. Normalmente a icterícia não exige cuidados maiores do que banhos de sol constantes. O problema é que o acúmulo deste pigmento amarelo acima de certos limites é extremamente tóxico para o sistema nervoso e, por isso, o bebê ictérico demanda um acompanhamento atento da evolução desses níveis de bilirrubina, que devem se normalizar até a 1ª ou 2ª semana de vida da criança.
Segundo os médicos me disseram, quando o bebê nasce de uma gravidez a termo (como o Pipe, com 39 semanas e 2 dias de gestação) e não tem problemas de incompatibilidade de RH com a mamãe (nós dois somos negativos e meu primeiro filhote também), a icterícia geralmente é fisiológica, sinal simples de imaturidade do fígado, e passa em poucos dias, bastando banhos de sol para ajudar.
Então, o Pipe nasceu no domingo pela manhã; e na segunda-feira à tarde, a pediatra que o estava acompanhando me disse que tinha pedido que fizessem um exame de sangue nele porque o achara um pouco amarelinho. No dia seguinte, terça, eu teria alta, e fui informada pela manhã de que seria feito um novo exame de sangue no Pipe antes que ele fosse liberado. Soube também que dependendo do resultado desse exame ele poderia não receber alta, pois teria que ficar internado para tomar banhos de luz. Nesse momento, já fiquei bem preocupada, pois não podia sequer conceber a ideia de ir para casa sem o meu bebê.
Mas, felizmente, o Pipe foi liberado para ir para casa comigo. Só que, como a taxa de bilirrubina estava mais alta que no dia anterior, a pediatra conversou comigo e com meu marido, e nos disse que ele teria alta, mas nós teríamos que levá-lo diariamente à maternidade para repetir os exames de sangue e acompanhar essa taxa até que ela começasse a baixar.
E assim fizemos. Diariamente íamos à maternidade colher sangue dos pezinhos do meu pequeno. Só isso já me cortava o coração. Mas o pior era que dia após dia a taxa só aumentava. E o meu coração diminuía. E o Pipe ficava mais amarelinho.
Fiquei tão preocupada, que chorei mais nesses dias de acompanhamento que nos últimos anos. Eu não queria que o meu filho fosse internado. Não queria que o organismo dele demorasse a reagir. Eu não podia ficar sem ele nem um minuto sequer.
E para completar, o tratamento que foi passado pela pediatra (e o único possível!) consistia em duas sessões diárias de banho de sol, com duração de meia hora cada. Sei que parece simples, mas não é quando o tempo insiste em se alternar entre completamente nublado e incessantemente chuvoso. Foi duro.
E isso sem falar na irritação que me dava quando sentia os olhares de reprovação das pessoas (principalmente de senhoras mais idosas) quando me viam passeando pela rua naquele tempo horrível com um bebê tão pequeno. Algumas até vinham falar comigo: "Cobre ele", "Tá tão frio para ele estar na rua" etc etc etc. Se pelo menos cada um se preocupasse mais com a sua vida do que com a dos outros...
Mas enfim, no quinto dia de exame os níveis de bilirrubina do Pipe começaram a baixar e a pediatra disse que o perigo tinha passado. Chorei mais ainda. De alívio. De felicidade. De gratidão. Fiz festa com bolo e tudo para comemorar. Uma semana de vida e a certeza de que tudo estava mesmo indo bem.
Sei que a icterícia de uma maneira geral não é nada demais e que eu talvez tenha reagido com exagero a ela. Sei que é comum (mais ainda do que se imagina) e sei que passa. Mas quando é com o meu filho não passa rápido o bastante, não é tão comum e não é tão simples. Porque ele é meu e porque eu sinto um amor que não cabe em mim e não quero que nada o ameace. Nada. Nem mesmo uma corzinha amarela. Até porque a vida é sem graça com uma cor só.
Quando tudo passou, nosso mundo voltou a ser seguro como antes. E colorido.
Sempre quis ser mãe. Essa sempre foi a grande certeza da minha vida. Em outubro de 2008, realizei meu grande sonho, e foi o desejo de registrar os momentos mais importantes dessa minha nova jornada e de partilhar minhas experiências e impressões sobre a vida de mãe que me levou a começar esse blog. Agora, já devidamente acompanhada por meus QUATRO (!) lindos filhinhos, convido vocês a partilharem comigo essa doce viagem da maternidade. Sejam bem-vindos!
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segunda-feira, 4 de julho de 2011
Porque eu não gosto de amarelo
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