Meu bebê estava previsto para nascer entre os dias 14 e 28 de outubro. Então, por insistência do meu marido (que dramaticamente temia que eu entrasse em trabalho de parto na rua), combinei com a minha chefe que eu trabalharia de casa a partir do dia 13.
Como moro na mesma rua em que meus pais, a partir dessa data passei a ir tomar café da manhã com eles diariamente, já que meu marido sai muito cedo para o trabalho. Então, eu tomava café com meus pais pela manhã e depois ia para casa, onde começava a trabalhar no computador.
Na manhã do dia 23 de outubro tudo corria como nos outros dias: tomei café com meus pais, fui para casa e comecei a trabalhar. Por volta de 12:20, comecei a sentir uma dorzinha incômoda nas costas, mais ou menos na altura dos rins. Decidi fazer uma bolsa de água quente e me sentei na cama para descansar um pouquinho. Quando eu me mexia, a dorzinha desaparecia.
Resolvi ir tomar banho e quando acabei, notei que a dorzinha estava um pouco mais forte e que já não passava quando eu me movia. Fora isso, percebi que a parte baixa da minha barriga “pesava” incomodamente durante o período da dor. Como eu estava sozinha em casa, resolvi ligar para o meu marido.
Eu: - Oi, amor. Tudo bem? Acho melhor você vir para casa, pois eu não estou me sentindo muito bem...”
Ele (todo animado): - Oba! Meu filho vai nascer, meu filho vai nascer... Fica aí quietinha, que eu já estou indo!
Liguei para a minha médica e ela pediu que eu começasse a monitorar as contrações. Se elas estivessem com intervalos de 10 minutos, eu deveria ligar para ela e ir para a maternidade. Quando o meu marido chegou, vimos que as contrações vinham com intervalos de 4 minutos!
Com a médica e nossos pais devidamente avisados, fomos para a maternidade. Felizmente já tínhamos deixado toda a nossa bagagem e a cadeirinha do bebê no carro alguns dias antes, o que nos poupou tempo e o risco de esquecermos alguma coisa importante.
Chegamos à maternidade por volta das 14h e eu fui logo examinada pela médica de plantão. Ela viu a posição do bebê no ultra-som e verificou que eu já estava com 6 cm de dilatação! Fui, então, encaminhada para a “cardiotocografia”. Esse exame de nome assustador é bastante simples, e consiste em monitorar os batimentos cardíacos do bebê durante as contrações, para ver como ele está reagindo a elas.
Até esse momento, a dor das contrações era bem suportável e passava rápido. Ao longo do exame, no entanto, as contrações foram ficando cada vez mais doloridas.
Minha médica chegou rapidamente e assim que viu meu exame (que gera uns gráficos com a curva das contrações), disse que eu teria que ir direto para a sala de pré-parto. Não dava nem tempo de eu ir para o quarto! Me despedi da minha mãe e da minha madrinha, que já haviam chegado, e subi com meu marido para o pré-parto.
Meu marido foi encaminhado para uma outra sala, para colocar a roupa para acompanhar o parto, e eu fui levada diretamente para a sala de parto humanizado, onde eu teria o meu bebê. Entrei às 15:45 neste quarto e mal me sentei na cama, senti uma água quente escorrendo: minha bolsa d’água tinha estourado!
Nesse momento, as contrações estavam muito fortes e dolorosas, pois eu sentia também a pressão que o bebê fazia para nascer. Finalmente o anestesista chegou e me aplicou a peridural. Não senti nada durante a aplicação, apenas um leve e rápido choque nos joelhos. Depois da anestesia, a dor diminuiu muito, pois parei de sentir a dor forte das contrações para sentir apenas a pressão feita pelo meu bebê.
Com a equipe médica completa e meu marido ao meu lado o tempo todo, comecei a fazer força para empurrar o meu bebê. Fiz força apenas 3 ou 4 vezes e, às 16:38 segurei meu filho nos braços pela primeira vez!
Não há palavra nesse mundo que seja capaz de descrever o que senti nesse momento. Até hoje, quando fecho os olhos, consigo sentir novamente meu filho saindo de dentro de mim e tenho dificuldade de controlar a emoção. Nunca me senti tão realizada quanto no dia em que ajudei meu bebê a chegar nesse mundão.
E a partir desse segundo, meu coração passou a viver fora de mim, na forma de um bebê gorducho e comprido, com lindos olhos de estrelinha, que me conquistou imediatamente.
Àquelas que temem o parto, digo por experiência que, apesar da dor, é a coisa mais maravilhosa desse mundo, pois nos dá ao final a melhor de todas as recompensas: um filho! E, no caso do parto normal, a recuperação é maravilhosa: eu comi assim que cheguei ao quarto, tomei banho algumas horas depois e pude andar no mesmo dia em que tive o bebê.
Eu, sem dúvida, planejo repetir a experiência!
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