quarta-feira, 3 de junho de 2009

(Falta de) Tempo

Às vezes fico impressionada de ver como o tempo passa rápido. E me parece que, na medida em que os anos vão passando, o relógio passa a correr mais e mais rápido, exigindo que tenhamos fôlego de maratonista para acompanhar.

O pior é quando me pego conversando com alguém e digo “outro dia aconteceu isso assim, assim” e vejo que esse “outro dia” foi há 2 semanas... 8 meses... 10 anos atrás! Onde eu estava que não vi o tempo passar tão rápido?

Outro dia fiquei em choque quando eu e uma amiga do trabalho decidimos esperar por nossa estagiária para irmos almoçar e fomos solenemente despachadas com um: “Vou almoçar com as meninas, tá?” (disse ela, referindo-se às estagiárias de outro departamento). Como assim “almoçar com as meninas”?????? Até ontem eu também fazia parte das “meninas”! É, o tempo passa... Rs...

Nos três primeiros meses de gestação, achei que o tempo passou muito devagar (já que eu estava ansiosa para ver a barriga crescer e para superar aquele período que dizem ser o mais crítico da gravidez). Do quarto mês em diante, o tempo passou e eu mal percebi, de tão envolvida que estava com meus doces sonhos, minhas grandes expectativas e os milhões de preparativos para a vida de mãe. Quando vi, já estava na sala de parto, contando os minutos (e fazendo uma forcinha!) para ver o meu bebê pela primeira vez.

Depois que voltei a trabalhar e a, consequentemente, passar cerca de 10 horas do meu dia longe de casa (incluindo o tempo que levo para ir e voltar do trabalho), o tempo – ou a falta dele – virou uma das minhas maiores preocupações. Mas tento não fazer disso um problema existencial. Trabalho fora, fico longe do meu filho por muito mais horas do que gostaria. Okay. Não tem como ser diferente, já que não faço parte da sortuda minoria que trabalha apenas por prazer.

Mas, ainda que fiquemos longe um do outro por algumas horas, meu filho é sempre a minha prioridade absoluta. E mesmo que seja por telefone, estou com ele em todas as horas do dia. Sei se dormiu, o que e quanto comeu, se brincou, se fez cocozinho, se passou o dia animado ou azedinho... Seu mundinho e o meu estão eternamente conectados desde que ele era apenas um micro grãozinho pulsante dentro da minha barriga.

Então, me dedico a garantir que o tempo que passo com o meu filho não seja um tempo passado, mas um tempo vivido intensamente. Quando estamos juntos, não há nada que possa me distrair: trabalho, compromissos, problema... nada disso existe ou chega perto de nós. Sou dele da unha do pé ao último fio de cabelo.

E o meu pequeno já cresceu tanto e tão rápido! Meu bebezinho com carinha de esquimó já está um rapazinho! Já vivemos tantas “primeiras vezes” juntos: a primeira cólica, o primeiro sorriso, o primeiro dente, a primeira vez em que sentou sozinho, a primeira papinha de fruta, a primeira sopa, as primeiras palmas, a primeira gargalhada, a primeira vez em que se jogou para o meu colo, a primeira vez em que ficou de pé, a primeira vez em que rolou, em que aprendeu a colocar a chupeta sozinho... Quanto aprendizado em apenas 7 meses! E felizmente, apesar desses 7 meses terem passado voando, posso dizer sem medo que estive sempre presente e vi cada segundinho da vida do meu filho bem de perto.

Mas que o tempo podia passar mais devagar, isso podia mesmo... Não seria nada mal se o dia tivesse mais algumas horas ou se cada minuto tivesse mais de 60 segundos. Ou quem sabe o tempo podia se congelar um pouquinho quando estivermos vivendo bons momentos, para que possamos aproveitá-los ainda mais.


Enquanto isso não acontece, vou levando minha vidinha e aproveitando cada momento da vida ao lado do filhote e do maridão, sonhando com o dia em que o tempo aprenderá que não precisa correr tanto. Afinal, do jeito que as coisas vão eu corro o risco de ir dormir sendo a mãe de um bebezinho de 7 meses e acordar dando de cara com um adolescente cabeludo, tatuado e cheio de piercings me chamando de “Mamãe”! (Filho, se um dia você se interessar em ler esse blog da mamãe, saiba que você não precisa de nenhum desses recursos modernísticos – leia-se tatuagem, piercings e cabelões – para ser a criatura mais linda-fofa-amada-descolada-importante da face da Terra, ok? Mas, se optar por algum desses recursos ou mesmo por todos eles juntos, tudo bem. A mamãe aqui aceita o pacote completo, incondicionalmente.)

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