quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ciúmes? Não trabalhamos!

Depois do nascimento do Felipe, a pergunta que mais tenho ouvido é: "E o Pedro? Está com muito ciúme?". E quando respondo que não, percebo que a maioria das pessoas fica bastante surpresa. Então, achei que isso valia um post para dar um exemplo positivo para as futuras mamães de dois.

Durante a gravidez, muitos foram os que disseram que, por ser tão pequeno ainda, o Pedro (que tinha pouco mais de 2 anos e 1 mês quando o Pipe nasceu) morreria de ciúmes do irmãozinho. Ouvi falar que ele iria regredir, querendo voltar a ser um bebê para chamar atenção; que ficaria agressivo comigo, com o papai e, especialmente, com o bebê.

Mas se tem uma coisa da qual eu não abro mão é: só eu decido a maneira como conduzirei meus filhos pelas situações que a vida nos apresenta (Eu e o papai, claro!). Assim, sobre a opinião dos outros, ouço, absorvo o que acho que vale a pena e deixo de lado o resto, especialmente as previsões negativas que as pessoas adoram fazer. (É impressionante como ouvi muito mais que o Pedro teria ciúmes do irmão do que ouvi que eles seriam amigos por serem meninos e terem idades tão próximas!). Eu não gosto de drama, não acho que porque foi assim com Fulano será assim com a gente também, não acho que ninguém morre porque tem irmão. Eu tenho dois, não morri e os amo de paixão.

Então, desde que descobri que estava grávida novamente, me preparei, junto com o maridão, para explicar para o Pedro que em breve ele teria não só um irmãozinho como também um amigo, o seu melhor amigo.

Para ajudar a tornar tudo mais concreto para o Pedroca, comprei um livrinho chamado "Vou ganhar um irmãozinho", de Kes Grey, que se tornou leitura diária lá em casa. Na verdade, eu mudava um pouco a história, tornando-a mais engraçada e compreensível para uma criança de menos de 2 anos. Ríamos muito com a imagem das fraldas sujas que iniciava o livro e fazíamos muita festa na página em que o bebê nascia. E o Pedro ama o livrinho até hoje.

Sempre incentivei que o Pedro conversasse com o irmãozinho , e ele logo desenvolveu o hábito de falar com o Pipe através do meu umbigo, pedindo que eu levantasse minha blusa para ele falar e para que o Pipe pudesse "ver" o que ele estava fazendo. "- Óia, Pipe" Eu comi tudo!"... "- Óia, Pipe, como eu jogo a bola bem alto!"... "- Pipe, quando voxê nascer, vô te empestá meus carrinhos, tá?".

Também conversamos muito, eu e papai, dizendo ao Pedro o quanto ele é amado e como a chegada do Pipe só deixaria a nossa vida mais feliz, porque amor nunca é demais e só se multiplica. Dizíamos que ter um irmãozinho é ter um amigo que mora na nossa casa. Pode ter coisa melhor que isso?

Quando voltamos da maternidade e apresentamos o bebê ao Pedro, sua primeira reação foi muito legal e engraçada: ao ver o irmãozinho dormindo quietinho no bebê-conforto, o Pedro olhou, olhou e soltou: "- Ah, ele não funciona!". Todos morremos de rir e logo expliquei que o Pipe funcionava sim, mas que era muito pequenininho ainda e que não sabia fazer quase nada.

Então perguntei se ele queria carregar o irmão. Ele aceitou e tenho certeza de que nenhuma das pessoas que presenciaram esse primeiro colinho vai esquecer o brilho no olhar do Pedro e seu sorriso feliz.

Esse primeiro encontro entre meus dois filhotes foi o ponto inicial da relação de amor e amizade que só cresce entre eles. Sempre deixei o Pedro se aproximar do irmão, pegá-lo no colo (comigo ou com o papai do lado, claro!), fazer carinho, ajudar a trocar fralda, participar do banho etc. Inúmeras vezes me sentei no chão para brincar com o Pedro enquanto amamentava o Pipe, para que ele visse que a nossa vida era a mesma, só um pouquinho diferente.

E acho que essa naturalidade com que encaramos a novidade fez com que o Pedro também visse a mudança como natural. Desde o início ele demonstrou gostar de ficar perto do irmão, querer ajudar a cuidar dele. É claro que ele passou um período mais levado, querendo chamar a nossa atenção sim, mas sem agressividade nenhuma em relação a nenhum de nós três - mamãe, papai e irmão. Essa fase passou bem rápido, e foi contornada com amor e paciência.

Hoje, o Pedro corre para acudir o Pipe ao primeiro sinal de choro, briga conosco se dermos "bronca" no bebê e vive abraçando e fazendo carinhos no irmão. Acha graça em tudo o que ele faz, rindo muito do bebê. Assim que acorda, sua primeira frase é: "- Cadê o Pipe?". E sempre diz que ele e o Pipe são "miores amigos para sempe" ("melhores amigos para sempre") ou "amigos pá valer". Aliás, se alguém diz que vai levar o Pipe embora, ele fica uma fera e solta: "- De jeito nenhum! Ele é meu imão, o Papai do Xéu mandô pá mim!".

E o Felipe, por sua vez, é apaixonado pelo Pedro, vive rindo e gargalhando para tudo que o irmão faz. Aliás, ele gargalha para o Pedro mesmo que ele não esteja fazendo nada; uma gracinha! E isso é família; é amor. Isso é ser irmão.

Então, para quem se prepara para ser mãe / pai de dois: fechem os ouvidos para as histórias ruins e se preparem para construir uma história própria, recheada de amor e amizade, como toda boa história deve ser.

2 comentários:

  1. Amei!! Sim, os prognósticos sempre são os piores. Sempre focam no que o mais velho vai perder (exclusividade, colo, atenção), e nunca no que ele vai ganhar, que é muito mais.
    Emília ainda parece não entender nada da minha gravidez, mas tenho feito um exercício: toda vez que uma amiga precise que eu pegue seu bebê no colo um pouco, e Emília ameaça reclamar, pego-a e fico com um em cada colo, pra ela ver que a mamãe pode ser compartilhada.
    Beijos e parabéns!

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  2. Que bom chegar aqui a primeira vez e ler esse post! Eu tenho passado pela dificuldade... Júlia tem ciúmes, mas acho que o problema maior é mesmo a minha inabilidade de lidar com ela... e com a Joana. Geralmente me irrito com a Júlia querendo pegar o tempo todo na irmã e beijar e abraçar e apertar. Acho que minha irritação gera ainda mais ansiedade na Júlia e a coisa toda vira uma bola de neve. Já "chorei" lá no blog minha dificuldade... e me dói não conseguir estabelecer a paz e alimentar a tranquilidade. Me culpo. Me culpo pela irritação, pelo cansaço, pela raiva e pela ausência. Acho que ainda não consegui ser a melhor mãe de duas que posso ser. E às vezes penso se a diferença fosse menor... se não seria mais fácil (lá em casa a diferença é de 5 anos e meio). Ah! Enfim, adorei seu cantinho! E AMEI seu post. Me trouxe força e encheu meu coração de amor pra tentar entender mais minha mais velha. Acho que eu fico querendo o impossível... ser uma mãe plena e totalmente disponivel para as duas... preciso me libertar disso para ser uma mãe plena e totalmente disponível COM as duas!! :-) Uni-vos!
    Beijos
    Fabiana
    http://2-ao-quadrado.blogspot.com

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