segunda-feira, 4 de março de 2013

A chegada da Helena - Parte II

Seus dois irmãos nasceram de partos normais rápidos e tranquilos. Essa foi uma benção que recebi, sabe? A facilidade natural para trazer a esse mundo os maiores amores da minha vida. Só que, quando chegou a sua vez, filha, foi tudo rápido demais.

Com o trânsito na Linha Amarela completamente parado e sem nenhuma possibilidade de sairmos dela para tentar outro caminho para a maternidade, a situação se complicou. Minhas contrações eram cada vez mais intensas e próximas e, pelas minhas experiências anteriores, eu sabia que você estava nascendo.

O engraçado é que, mesmo em meio a toda aquela tensão, eu me mantive relativamente calma. É claro que tive muito medo de que você nascesse no carro, mas fiquei o tempo todo em silêncio, rezando e conversando mentalmente com você. Afinal, estávamos juntas nessa, né? Como foi desde o dia em que eu soube que você estava morando aqui dentro, e como será por toda a nossa vida, meu amor.

E seu pai é ótimos nesses momentos de crise, sabe? Parece que ele sempre sabe o que fazer para resolver qualquer coisa. E foi ele quem teve a ideia de começarmos a procurar, em meio àquelas centenas de carros parados, um carro da polícia ou da emergência da própria Linha Amarela que pudesse nos ajudar. Era a nossa única chance, na verdade, de sair daquele caos. E, como Deus está sempre com a gente, logo vimos que, pouco atrás de nós, havia um carro da LAMSA.

O papai conseguiu cortar alguns carros para se aproximar, e a vovó Clarinha, da janela do banco de trás do nosso carro, começou a fazer sinal para o motorista, explicando que eu estava em pleno trabalho de parto e precisava chegar à maternidade o mais rapidamente possível. O rapaz, que foi o nosso anjo do dia, ligou a sirene e o pisca-alerta do carro e abriu caminho para a gente até o acesso para a rua que nos levaria ao hospital.

E, enfim, chegamos! Mas, na verdade, só nós chegamos, porque a minha médica continou presa em outro mega engarrafamento...

Achei que você ia nascer assim que fiquei de pé para sair do carro. Entramos rapidamente na maternidade e, apesar da insistência do papai em dizer que você ia nascer a qualquer minuto, a recepcionista insistia que esperássemos que alguém do hospital viesse me levar para ser examinada. Mas eu decidi que seu pai me levaria.

E assim que me deitei para a obstetra de plantão me examinar, ela me olhou,  já saindo rapidamente do consultório, e disse: "- Nos vemos no pré-parto. Podem subir direto! Está nascendo!".

E exatamente 18 minutos depois de termos estacionado o nosso carro na porta da maternidade, te segurei em meus braços pela primeira vez. Que alívio, que felicidade, filha!

Nada daquelas roupinhas de hospital, nada de anestesia, nada de nada. Só de amor. De força. De vida. Você chegou forte e decidida (e gigante, com 4,120kg e 52,5 cm!), iluminando a nossa noite e as nossa vidas. Você foi luz no meio daquela noite escura. Exatamente como o seu nome diz.

Soubemos depois que você só não nasceu antes porque a minha bolsa d'água não estourou, filha. Imagina? Você e a mamãe, jornalista, iam virar notícia de jornal, com certeza! Ainda bem que nos livramos dessa!

Brincadeiras de lado, é desnecessário falar na felicidade que a sua chegada trouxe à nossa família. Você é linda, é doce, é sorridente, é suave e ao mesmo tempo decidida: quando quer alguma coisa.... Você é o nosso raio de sol, nossa bolotinha, a "bebê princesa" do Pedro e do Felipe, o nosso amor. É quem faltava para completar a nossa família tão incrível. Só estávamos esperando por você.

 Te amo imenso, filha. E infinito. Que bom que você já chegou.



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