Quem me conhece sabe o que a maternidade significa para mim.
Mais que um sonho, a maternidade define quem eu sou. Foi através dela que
encontrei meu lugar no mundo. De verdade. Então, não poderia haver notícia mais
linda do que saber da chegada (surpresa!) de mais um bebê. No entanto, a
minha quarta gravidez foi um período emocionalmente desgastante para mim,
pois embora estivesse muito feliz e animada com a possibilidade de ter mais um
bebê, passei por alguns sustos que realmente me abalaram.
Era dia 24 de dezembro quando resolvi fazer um teste de
gravidez. Não que eu estivesse com algum sintoma. Não. Era mais uma sensação. E, segundos depois, lá estavam
elas. As duas listrinhas que tanto me encantaram vezes antes, anunciando a
chegada dos maiores amores da minha vida.
Minha primeira reação teve medidas iguais de felicidade (um
filho!), choque (QUATRO!) e medo, muito medo. Afinal, naquele ano, o Brasil
experimentava pela primeira vez o surto de uma doença ainda desconhecida
transmitida pelo mosquito aedes aegypt;
uma doença aparentemente benigna, mas capaz de causar graves problemas ao feto,
como microcefalia e, até mesmo, a morte. E a questão é que, no início de
dezembro, cerca de 3 semanas antes de descobrir a gravidez, eu tive todos os
sintomas da zika.
Acho que nunca chorei tanto de medo de ter prejudicado o meu
bebê. Bastou ver aquelas listrinhas no teste de farmácia para que aquele bebê
fosse MEU! Tão meu que eu não poderia aguentar se algo de ruim acontecesse a
ele. Liguei imediatamente para a minha obstetra para marcar uma consulta. O
Nando, imensamente feliz com a chegada de mais um bebê, lidava melhor com
nossas preocupações e tentava me acalmar, dizendo ter certeza de que tudo
correria bem. Será?
Expus todos os meus medos para a Dra. Ana Elisa, que foi meu
anjo durante essa gravidez, sempre otimista, tranquila e aberta a escutar todas
as minhas dúvidas e preocupações. Ela, pesquisadora da FioCruz além de
minha obstetra, acreditava que, mesmo que eu tivesse tido zika, não havia risco de contaminação do bebê, uma
vez que o pouco que já se sabia sobre a doença é que a sua transmissão ao feto
ocorria através da placenta, que ainda não existia naquele estágio da gestação.
Claro que essa explicação me encheu de esperança, mas como
se tratava de uma doença muito pouco conhecida, o medo continuou ali, à
espreita. Vai que eles estivessem errados?
Um mês depois, um exame revelou que eu provavelmente tive dengue
– doença causada pelo mesmo aedes aegypt,
mas inofensiva durante a gravidez –, e não zika. Que alegria! Não sei nem de
longe descrever o tamanho do meu alívio e gratidão.
Mas a verdade é que, embora minha gravidez transcorresse sem
problemas, saber que uma simples picada de mosquito poderia colocar meu bebê em
risco, foi emocionalmente penoso para mim. Tive tanto, tanto medo. Rezei muito
e entreguei nas mãos de N. Senhora, mãe como eu. Os meses foram passando e os
resultados sempre excelentes dos meus exames e ultrassons foram acalmando o meu
coração.
Até que, com 34 semanas de gestação, acordei toda pintada e
com todos os sintomas novamente das doenças causadas pelo aedes aegypt! Mal
pude acreditar; fiquei em choque! Fui orientada pela minha médica a procurar a
emergência da maternidade Perinatal e dar inicio ao protocolo de zika
estabelecido pelo governo.
E como tudo o que é público funciona a passos lentíssimos
neste país, infelizmente, fui informada de que o resultado dos exames (todos
gratuitos e enviados para a FioCruz) poderia demorar meses para sair e que, se
eu quisesse, poderia pagar particularmente pelos exames e ter o resultado em
até duas semanas. Optei por pagar pelo exame de zika – a decisão mais acertada,
visto que até hoje, quase 8 meses depois, ainda não tive o resultados
dos exames enviados para a FioCruz...
Pouco mais de uma semana de espera e a alegria: exame negativo
para zika! Mais um susto com final feliz! Meu bebê estava protegido!
O restante da gravidez transcorreu sem problemas até que,
bem no finalzinho, o exame de suab teve resultado positivo para streptococcus.
Essa é uma bactéria bem comum, mas que, quando presente nessa região durante a
gravidez pode ser transmitida ao bebê durante o parto, causando uma infecção
grave que pode até mesmo causar a morte do bebê.
A notícia boa é que o risco de transmissão poderia ser eliminado
com a simples aplicação de um antibiótico injetável na mamãe cerca de 4 horas
antes do bebê nascer. A notícia ruim é que meus partos sempre foram tão
rápidos, que nunca passei quatro horas em trabalho de parto...
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